O Festival Maria Isabel 2026 celebra os sabores e as histórias que fazem parte da identidade do Piauí. Com o tema “Sabores que Contam Histórias: Encantos do Piauí”, o evento reúne tradição, memória e gastronomia. É nesse cenário que a Escola de Culinária Pimenta do Reino participa, levando pratos que representam as raízes, os afetos e as histórias de suas voluntárias.
É com esse espírito que a Escola de Culinária Pimenta do Reino, por meio de três voluntárias que têm suas próprias histórias ligadas à cozinha e à cultura do Piauí, participa do Festival Maria Isabel 2026, que este ano traz como tema “Sabores que Contam Histórias: Encantos do Piauí”.
O festival acontece nos dias 20, 21, 22 e 23 de agosto de 2026, no estacionamento do Teresina Shopping, com entrada gratuita, reunindo sabores, saberes e tradições da culinária piauiense.
Representando a Escola de Culinária Pimenta do Reino, Dona Nazilde, Laise Eliliane e Dona Ero apresentam pratos que vão muito além da gastronomia. São preparações que carregam lembranças da infância, ensinamentos familiares, afetos e experiências que ajudaram a construir suas histórias.
Dona Nazilde: sabores que vêm da infância
Voluntária da Escola de Culinária Pimenta do Reino, Dona Nazilde leva ao festival uma preparação que representa suas raízes e as lembranças de uma infância vivida junto à família no interior do Piauí.
Ela apresenta uma Maria Isabel de carneiro, preparada de maneira especial e inspirada em uma receita herdada de sua mãe, que, segundo suas lembranças, era uma verdadeira cozinheira nata. A receita carrega não apenas o sabor da carne de carneiro, mas também a memória dos ensinamentos recebidos dentro de casa.
Para acompanhar o prato, Dona Nazilde prepara uma paçoca de carne de sol feita no pilão, uma preparação que remete diretamente à sua infância e aos momentos vividos com a família no interior, onde a criação de carneiros e galinhas fazia parte do cotidiano.
Seu prato é, portanto, uma viagem às origens: ao quintal de casa, à família reunida e aos sabores aprendidos com quem veio antes.
No festival, Dona Nazilde compartilha não apenas uma receita, mas uma parte de sua própria história, mostrando como a culinária pode manter vivas as lembranças de uma vida inteira.
Laise Eliliane: da memória afetiva à releitura da tradição
A história de Laise Eliliane com a Escola de Culinária Pimenta do Reino possui um significado ainda mais especial. Ela foi aluna da escola, tornou-se voluntária e hoje atua também como instrutora, transformando o conhecimento que recebeu em oportunidade de ensinar outras pessoas.
Para o Festival Maria Isabel, Laise escolheu como inspiração uma receita carregada de memória afetiva: a galinha caipira, prato que homenageia sua avó, responsável por ensinar-lhe os primeiros caminhos para preparar essa comida tão presente na cultura e nas mesas do interior.
A lembrança da avó permanece como ponto de partida, mas Laise leva para o festival também a sua experiência gastronômica construída ao longo do tempo. A partir da receita tradicional, ela propõe uma releitura contemporânea, preservando a essência do prato e, ao mesmo tempo, imprimindo sua própria identidade.
Sua criação apresenta uma galinha desossada com calda de cajuína, acompanhada de arroz de alho frito, vinagrete de manga e um delicioso pirão.
É a tradição encontrando novos caminhos sem perder suas raízes. A receita da avó permanece presente como memória e inspiração, enquanto a experiência de Laise permite que esse sabor seja apresentado sob uma nova perspectiva.
Sua participação representa também a própria trajetória dentro da Escola de Culinária Pimenta do Reino: alguém que começou como aluna, encontrou na gastronomia uma oportunidade de aprendizado e hoje compartilha conhecimento com outras pessoas.
Dona Ero: um prato feito para a família que chega ao festival
A história de Dona Ero talvez seja uma das formas mais puras de demonstrar o significado da memória afetiva na cozinha.
Voluntária da Escola de Culinária Pimenta do Reino, ela recebe com muita humildade e alegria a oportunidade de participar do festival. Para ela, estar nesse espaço representa uma honra e a possibilidade de compartilhar com o público um pouco daquilo que sempre fez com carinho dentro de casa.
O prato escolhido é o seu famoso creme de galinha, uma preparação muito desejada por seus familiares.
Durante toda a sua história, Dona Ero nunca preparou o creme de galinha pensando em apresentá-lo em um festival ou comercializá-lo. O prato sempre teve outro propósito: reunir a família, alimentar quem ama e transformar uma refeição em um momento de afeto.
Por isso, sua participação no Festival Maria Isabel tem um significado especial. Pela primeira vez, um prato que nasceu para ser servido entre familiares atravessa as portas de casa e ganha um novo espaço, sendo apresentado ao público como uma expressão da culinária e da memória afetiva piauiense.
O creme de galinha de Dona Ero chega ao festival como um prato exclusivo, carregando consigo uma história simples, verdadeira e profundamente afetiva.
Três histórias, um mesmo propósito
As histórias de Dona Nazilde, Laise Eliliane e Dona Ero são diferentes, mas encontram um ponto em comum: a cozinha como espaço de memória, aprendizado, afeto e identidade.
Cada uma delas leva ao Festival Maria Isabel muito mais do que um prato. Dona Nazilde leva as lembranças da família e da infância no interior; Laise leva os ensinamentos da avó e a transformação de uma tradição através da gastronomia; Dona Ero leva ao público um prato que nasceu dentro da família e sempre foi preparado com carinho.
É dessa forma que a Escola de Culinária Pimenta do Reino se faz presente no festival: valorizando pessoas, histórias e saberes que ajudam a manter viva a cultura alimentar do Piauí.
Porque quando uma receita é preparada com memória, ela deixa de ser apenas comida. Ela passa a contar uma história.
O Festival conta com apoio da ABRASEL
Fotografia: Maximiano Bonfim


