Participantes diante do painel Tecer alianças para alimentar a vida, no III Encontro do Programa Cozinha Solidária

Cáritas Teresina representa entidades gestoras na abertura do III Encontro do Programa Cozinha Solidária

Na manhã de 4 de novembro, em Brasília, a Cáritas Arquidiocesana de Teresina ocupou um lugar de grande responsabilidade: representou as entidades gestoras e as cozinhas solidárias de todo o Brasil na mesa de abertura do III Encontro do Programa Cozinha Solidária, que tem como tema Tecer alianças para alimentar a vida.

O encontro, realizado de 4 a 6 de novembro, é promovido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da Fiocruz, do Ministério da Saúde e da Fundação Rosa Luxemburgo. Pela primeira vez, a programação ganhou dimensão internacional, reunindo delegações do Peru, México, Argentina, Uruguai, Colômbia e Chile ao lado de cozinhas das cinco regiões do país.

Fala na mesa de abertura do III Encontro do Programa Cozinha Solidária, em Brasília, com bandeiras de movimentos populares à frente do palco
Mesa de abertura do III Encontro do Programa Cozinha Solidária, em Brasília.

Na mesa de abertura

A voz de quem está no território

Na abertura, a coordenadora da Cáritas Teresina, Lucineide Rodrigues, falou em nome de quem faz o Programa Cozinha Solidária acontecer na ponta. A Cáritas é a entidade gestora que acompanha 21 cozinhas solidárias no Piauí, e foi a partir dessa experiência concreta que ela destacou o papel da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no funcionamento diário das unidades.

É uma conexão que se vê no prato. Segundo a Conab, o PAA abastece hoje mais de 700 cozinhas solidárias no país com alimentos da agricultura familiar, e entre 2023 e 2026 foram investidos mais de R$ 240 milhões nesse abastecimento, com proteínas, frutas, legumes e verduras. Comida que sai do campo de pequenos produtores e chega à mesa de quem mais precisa.

21cozinhas solidárias acompanhadas pela Cáritas Teresina no Piauí
+700cozinhas abastecidas pelo PAA com alimentos da agricultura familiar
R$ 240 miinvestidos no abastecimento das cozinhas entre 2023 e 2026
Plenária de abertura do III Encontro do Programa Cozinha Solidária, com mesa decorada com frutas, verduras e bandeiras de movimentos sociais
Poder público, movimentos populares e organismos internacionais reunidos na plenária de abertura.

O que é uma entidade gestora?

No Programa Cozinha Solidária, a entidade gestora é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, credenciada pelo MDS, que apoia, articula e qualifica as cozinhas de seu território. É ela que ajuda a transformar a força comunitária em política pública organizada: cuida da gestão dos recursos, acompanha a oferta das refeições e fortalece quem está na cozinha todos os dias. Esse é o papel que a Cáritas Teresina exerce no Piauí.

Uma política em construção

Programa Cozinha Solidária: três encontros, um caminho

O Programa Cozinha Solidária foi criado pela Lei nº 14.628/2023 e regulamentado pelo Decreto nº 11.937/2024. Desde então, os encontros nacionais se tornaram o espaço onde governo e sociedade civil avaliam juntos o que funciona e o que precisa avançar.

2024

O I Encontro, realizado na Fiocruz Brasília, apresentou o primeiro panorama da política e abriu o diálogo sobre seu monitoramento e avaliação.

2025

O II Encontro, com o tema “Alimentar a esperança de um Brasil justo e solidário”, reuniu cozinhas, entidades gestoras, universidades e movimentos sociais para avaliar os avanços.

2026

O III Encontro amplia o diálogo para a América Latina e se propõe a pactuar prioridades para os próximos quatro anos.

O crescimento é visível: em junho de 2026, o MDS contava cerca de 1,4 mil cozinhas habilitadas no Programa Cozinha Solidária, em 26 estados e no Distrito Federal.

Painel sobre apoio à execução de projetos de formação no Programa Cozinha Solidária, com quatro participantes no palco
Painel sobre o apoio à execução de projetos de formação nas cozinhas solidárias.

Escuta e partilha

O que se tece em três dias

A programação começou, como é tradição nas pastorais e nos movimentos populares, com acolhida e mística. Depois, a escuta se desdobrou em grupos de trabalho que traduzem bem o que é uma cozinha solidária por dentro:

Gestão que sustentaCaminhos do alimentoSaberes que fortalecemCozinhas promotoras de saúdeAncestralidade que alimentaAlianças para fazer acontecerValorizar quem fazAutonomia financeiraO que fazemos e o que transformamos

Nos painéis, experiências do Peru, México, Argentina, Uruguai, Colômbia e Chile mostraram que a cozinha comunitária é uma resposta que nasce dos povos latino-americanos e que, quando encontra o Estado como parceiro, se torna política pública capaz de durar.

Participantes sentados em roda durante grupo de trabalho do III Encontro do Programa Cozinha Solidária
Grupos de trabalho: escuta, troca de experiências e construção coletiva de propostas.

De volta ao Piauí

O que levamos para casa

Estar na mesa de abertura de um encontro nacional é um reconhecimento ao trabalho silencioso de cada cozinheira, voluntário, agricultor e liderança comunitária que sustenta as cozinhas acompanhadas pela Cáritas no Piauí. É também um compromisso: levar para Brasília a realidade dos nossos territórios e trazer de volta aprendizados que fortaleçam quem serve e quem é servido.

Esse compromisso também se faz com transparência. A execução do Programa Cozinha Solidária pela Cáritas Teresina pode ser acompanhada na nossa página de Transparência MDS. E o diálogo começou antes de Brasília: em outubro, recebemos em Teresina um encontro da Conab e do MDS sobre o direito à alimentação, no Dia Mundial da Alimentação.

Duas participantes ao lado do banner Tecer alianças para alimentar a vida, do III Encontro do Programa Cozinha Solidária
Participantes do Piauí no III Encontro do Programa Cozinha Solidária.

Agradecemos ao MDS, à Conab e a todas as instituições parceiras pela confiança, e a cada cozinha solidária que, todos os dias, prova que alimentar é um ato de justiça.

Tecer alianças é isso: ninguém alimenta a vida sozinho.