Dia mundial da Alimentação Caritas Teresina

Dai-lhe Vós Mesmo de Comer: escuta e partilha no Dia Mundial da Alimentação

Partilhar experiências, fortalecer parcerias e construir caminhos para garantir uma alimentação adequada e saudável é um compromisso de todos nós. Foi com esse espírito que, em alusão ao Dia Mundial da Alimentação, nos reunimos em Teresina para um dia de formação, diálogo e escuta.

No dia 15 de outubro, a Casa da Pastoral do Povo da Rua, onde funciona a Cozinha Solidária Dai-lhe Vós Mesmo de Comer, recebeu um importante encontro promovido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

A atividade contou com a participação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos (SASC) e da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), além de representantes das cozinhas solidárias, movimentos sociais, fornecedores e pessoas beneficiárias.

Uma roda de conversa para ouvir e construir juntos

Mais do que uma reunião institucional, o encontro foi pensado como um espaço de escuta. Em roda, organizações sociais, poder público, fornecedores da agricultura familiar e as próprias comunidades atendidas trocaram experiências, apresentaram desafios do dia a dia e apontaram caminhos possíveis.

No centro da conversa estiveram temas que tocam diretamente a vida de milhares de famílias: o direito humano à alimentação adequada e saudável, a segurança alimentar e nutricional e o papel das políticas públicas no enfrentamento à fome.

Você sabia?

  • A alimentação é um direito social garantido pela Constituição Federal (art. 6º), incluído pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010.
  • O Programa Cozinha Solidária foi criado pela Lei nº 14.628/2023, a mesma lei que reestruturou o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), e é coordenado pelo MDS.
  • A regulamentação veio com o Decreto nº 11.937/2024, que define a cozinha solidária como uma tecnologia social de combate à insegurança alimentar e nutricional.

O Brasil avançou, mas a tarefa continua

Os números recentes mostram que as políticas públicas fazem diferença. Segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI), divulgado pela FAO em julho, o Brasil segue fora do Mapa da Fome, mantendo abaixo de 2,5% a parcela da população sem renda suficiente para consumir o mínimo de calorias necessárias a uma vida saudável.

Fora do MapaBrasil segue fora do Mapa da Fome da ONU (SOFI 2026)
7,8%da população mundial enfrentou a fome em 2025
2023ano de criação do Programa Cozinha Solidária

Mas indicadores nacionais não apagam a realidade de quem ainda vive nas ruas, nas periferias e em situação de vulnerabilidade. É exatamente aí que as cozinhas solidárias fazem a diferença: chegam onde a fome ainda insiste em permanecer.

Dia mundial da Alimentação

Muito mais do que oferecer refeições

Quem conhece uma cozinha solidária por dentro sabe: ali se serve comida, mas também se serve acolhimento. Esses espaços são lugares de solidariedade, participação popular e transformação social, onde vínculos comunitários são fortalecidos e a dignidade de cada pessoa é reconhecida.

“Dai-lhes vós mesmos de comer.”

Mateus 14,16

O nome da cozinha que nos acolheu não é por acaso. Diante da multidão faminta, Jesus não mandou o povo embora: devolveu a responsabilidade aos discípulos. É esse o chamado que a Cáritas abraça todos os dias, e que se renova em cada prato servido, em cada pessoa escutada, em cada parceria construída.

Neste ano, a FAO celebra o Dia Mundial da Alimentação com o tema “Inovar hoje para nutrir amanhã”. Em Teresina, a inovação tem rosto conhecido: é a articulação entre agricultura familiar, políticas públicas e organizações comunitárias, que transforma alimento em direito e direito em vida concreta.

Dia mundial da Alimentação Caritas Teresina

Seguimos juntos

Agradecemos à Conab, ao MDS, ao MDA, à SASC, à SAF, às cozinhas solidárias, aos movimentos sociais, aos fornecedores e, especialmente, às pessoas atendidas, que trouxeram suas vozes e suas histórias para esta roda. Cada participação reforça que o combate à fome é uma construção coletiva.

Combater a fome é garantir direitos, fortalecer a solidariedade e construir uma sociedade mais justa.